
domingo, 15 de abril de 2012
sexta-feira, 13 de abril de 2012
"Noites dentro com Saramago"
terça-feira, 10 de abril de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
Rui Zink na Besc- Semana da Leitura
A manhã de ontem na Besc foi bastante animada com a presença do escritor Rui Zink, conhecido pelo seu humor muito incisivo. O escritor e professor universitário destacou a importância da leitura como fundamental para que nos tornarmos melhores pessoas, cidadãos conscientes e critícos.O nosso muito obrigado!
Equipa da BE
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Ondajki na Besc

O escritor angolano Ondjaki esteve na Biblioteca da Escola Secundária de Casquilhos, para um encontro com a comunidade escolar, no dia 8 de fevereiro, pelas 10 horas.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Ensaio sobre a Cegueira na BE
A divulgação da obra de Saramago no inquietante filme "Ensaio sobre a Cegueira". As professoras Fernanda Martins e Rosa Almeida, da equipa da BE irão divulgar a iniciativa que decorrerá durante os meses de fevereiro e março.
Menção Honrosa Escola.Escrita.Cinema
O aluno João França do 9ºA e monitor da BE obteve uma Menção Honrosa no concurso Escola.Escrita.Cinema, com o guião “ O tempo nunca se esgota”.Promovido pela Rede de Bibliotecas Escolares, este concurso é uma iniciativa dos ministérios da educação dos países da Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI que lançaram o desafio a alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico (12 a 15 anos), das escolas da rede pública, a produzir histórias/ relatos para a elaboração de guiões e para a realização de curtas- metragens.
Pretende-se, ainda, aproximar as indústrias culturais da escola, nomeadamente o cinema.
Muitos Parabéns João!
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
O BESTIÁRIO DA BESC (7)
Na água viscosa, cheia de folhas,
com franjas róseas da madrugada,
entram meninos levando búfalos.
Búfalos negros, curvos e mansos,
- oh, movimentos seculares!-
odres de leite, sonho e silêncio.
Cheia de folhas, a água viscosa
brilha em seus flancos e no torcido
esculturado lírio dos chifres.
Sobem e descem pela água densa,
finos e esbeltos, por entre as flores,
estes meninos quasi inumanos,
com o ar de jovens guias de cegos
− oh, leves formas seculares −
tão desprendidos de peso e tempo!
O dia límpido, azul e verde
vai levantando seus muros claros
enquanto brincam na água viscosa
estes meninos, por entre as flores,
longe de tudo quanto há no mundo,
estes meninos como sem nome,
nesta divina pobreza antiga,
banhando os dóceis, imensos búfalos
− oh, madrugadas seculares!
Cecília Meireles, Poemas escritos na Índia
Poema escolhido pelos alunos do 11º A
domingo, 29 de janeiro de 2012
O BESTIÁRIO DA BESC (6)

Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma da gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!
Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, a alma doente
Dalguém que quis amar e nunca amou!
Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!
Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!...
Florbela Espanca, Livro de mágoas
Poema escolhido pelos alunos do 10º A
O BESTIÁRIO DA BESC (5)
Que venerável campo! E nós que lhe fizemos?
Nas escarpas
nos cômoros
nos vales
já não levantam ouro os cascos dos cavalos!
(Esses aí puxavam
a quadriga de Apolo.
Ficaram sem emprego: o Sol está parado.
Além, o Rocinante. O Pégaso, mais alto.
Limitam-se ao convívio
dos outros reformados:
os cavalos solenes dos enterros
os cavalos festivos das paradas
os cavalos heroicos das batalhas!)
Cavalos, ah! somente o vento vos cavalga!
E são bandos, são tantos e são tristes
sem cavaleiros, nem sequer fantasmas!
(Faltam, contudo, quatro.
De Quatro Cavaleiros que hão de vir.
A promessa é formal e serão quatro.
Quatro.
Quando virão
remir-nos e remir-vos?
E entanto que merecido insulto se preferissem
a seus corcéis de luz
quatro aviões a jacto!)
David Mourão-Ferreira, Os Quatro Cantos do Tempo
Poema escolhido pelos alunos do 11ºC
O BESTIÁRIO DA BESC (4)

de não tocar violino
essa a violenta fragrância
da flor húmida do seu focinho.
O violino que é a metáfora
melodiosa do assassino
o som do afiar da lâmina
propriamente o raciocínio.
O risco de luz na selva
por isso do tigre exalto
que uma estrofe de sangue escreve
no jorro puro do salto.
Natália Correia, O solstício da besta
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Concurso Nacional de Leitura 2011-2012

No dia 18 de janeiro procedeu-se à entrega dos certificados de participação na 1ª eliminatória do Concurso do Plano Nacional de Leitura. A cerimónia teve lugar na biblioteca da nossa escola e contou com a presença dos alunos envolvidos e das professoras de Língua Portuguesa responsáveis pela reallização desta iniciativa. A entrega dos certificados e prémios coube ao Prof. Carlos Pedro representante da direcção.
Classificações: Vanessa Duarte 11º C (1º lugar), Inês Costa 12ºB (2ª lugar), Catarina Viegas 10ºB (3º lugar) e Joana Veríssimo 10ºB (4ª lugar).
As alunas apuradas irão representar a nossa escola nas Finais Distritais que decorrerão entre Março e Abril de 2012.
A equipa da BE, professores e colegas desejam às alunas apuradas boa sorte e boas leituras para esta nova fase do Concurso Nacional de Leitura!
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Temos Monitores de Biblioteca!
Bom trabalho!
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Haloween na Besc
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Dia da BE na BESC
Mês internacional das bibliotecas escolares: saber, um poder para a vida
Numa época em vivemos marcados pelo problema da crise, a biblioteca escolar deve e tem de funcionar como um espaço de partilha de recursos, em que o único interesse em jogo é o do conhecimento. Há que aproveitar ao máximo os serviços gratuitos que as bibliotecas escolares colocam ao serviço da comunidade educativa. Pedem-nos criatividade ! O primeiro passo a dar é alimentar o conhecimento, por isso usem ao máximo a biblioteca escolar."quarta-feira, 12 de outubro de 2011
A PROPÓSITO DA POESIA DO SUECO TOMAS TRANSTRÖMER, PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2011
Pedrada no charco. Suponho ser esta a melhor definição para o efeito que em mim causou a notícia da atribuição do Prémio Nobel da Literatura deste ano ao poeta sueco Tomas Tranströmer, o que me levou a conjecturar que, se calhar, é mesmo esta uma das funções positivas da existência deste tipo de galardões, ou seja, a de (re)despertar em nós a vontade de (re)visitar recônditos estagnados ou ignorados da nossa memória individual ou colectiva.Foi na década de 80, quando estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que tomei contacto acidental com alguns autores exponenciais da poesia sueca, através da aquisição e leitura da excelente colectânea 21 Poetas suecos, coordenada por Ana Hatherly e Vasco Graça Moura. E digo acidental porque, ao varrer com o olhar as estantes da livraria situada na cave do edifício da Faculdade, em busca de outros títulos constantes nas longas e dispendiosas listas bibliográficas com que cada docente daquela casa nos brindava no início de cada ano lectivo, me deparei estarrecida com um título que considerei retrospectivamente como uma quase impossibilidade, pois não consegui vislumbrar, no momento, a que conduziria o resultado da adição “suecos + poesia”. O anterior contacto profissional e pessoal de bastantes anos com vários detentores daquela nacionalidade, para além de ter constituído uma segunda e fundamental escola na minha vida, havia moldado a minha visão sobre os mesmos na igualdade “suecos = pragmatismo”, logo, supunha eu, inviabilizadora da construção de algo que me merecesse uma inclusão digna no género poético. Movida, inicialmente, por uma enorme curiosidade, rapidamente me confrontei com o horror e a vergonha da percepção estereotipada que havia construído, não só sobre a cultura e o povo suecos, mas também relativamente àquilo de que o género lírico se pode alimentar. Dois poemas bastante distintos entre si foram fulcrais neste processo, “Escandinávia”, de Artur Lundkvist, e “Kyrie” do agora laureado Tomas Tranströmer. Convido-vos a lê-los no comentário seguinte, porque a poesia é uma poderosa arma contra os estereótipos que infelizmente ainda permeiam e limitam as nossas vidas e que quotidianamente nos esforçamos por erradicar da (nossa) escola.
Poetas suecos: Tomas Tranströmer
A minha vida às vezes abria os olhos no escuro.
Uma sensação de multidões arrastando-se por ruas,
cegas e sem descanso, no caminho para um milagre,
enquanto eu fico aqui, invisível.
Como uma criança que adormece aterrorizada
à escuta dos passos pesados do coração,
até que a manhã ponha o seu raio de luz nos fechos
e as portas da escuridão se abram.
s. m.
1. [Religião católica] [Religião católica] Invocação a Deus que se faz no princípio da missa.
2. [Música] [Música] Cântico feito com essa invocação.
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
(Nota da autora)
Hatherly, A. e Graça Moura, V. (coords.) (1981). 21 Poetas suecos. Lisboa: Vega.
Poetas suecos: Artur Lundkvist
Não. A Escandinávia não é como a maioria imagina,
nem sequer no Inverno.
Algum escandinavo utiliza a palavra ártico?
Muitos nem sabem o que significa.
A aurora boreal é mais frequente nos poemas que na realidade
e os cornos dos alces já não rasgam a névoa
que descansa sobre o sono das cidades de província.
As cascatas evitam o frio
ocultando-se em suas grutas de gelo
(vejo-as fumegar como quando o comboio
desaparece no túnel).
Tão pouco se vê ameaçada de congelação
a água sensível dos olhos
(ainda que os caminhos permaneçam cobertos de gelo
podemos patinar por eles de uma povoação a outra).
Ah mas repara como as estacas desaparecem debaixo da neve,
como essa casa de madeira azul cobalto
mostra os seus três pisos de janelas incandescentes
como se ardesse por dentro.
Repara na solitária locomotiva abrindo caminho por entre a neve –
o acidente não seria muito grave se descarrilasse
e ficasse encostada a um montão de neve
gelando lentamente.
Uma raposa pode permanecer horas e horas sentada
olhando os frutos da rosácea;
ou deixar-se ficar pacientemente esperando
que um raro regresse da sua toca na neve.
O mocho, com os seus pálidos olhos de âmbar, voa tão silencioso
que a paisagem parece surda.
Muitos são os pássaros que saem dos bosques invernais
para morrer junto aos homens.
E quando o verão desperta podemos descobrir
um formigueiro construído à volta de uma luva perdida.
O poema foi transcrito de:
Hatherly, A. e Graça Moura, V. (coords.) (1981). 21 Poetas suecos. Lisboa: Vega.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
PROJETO: “OFICINA SARAMAGO” – BARREIRO/ MOITA
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
O que ler?
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
A BESC deseja a todos um bom ano letivo e boas leituras!
A equipa da biblioteca
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Gente Singular, sem dúvida
Decerto que qualquer espírito amante da leitura e da originalidade ficará contente ao saborear as histórias de Gente Singular, uma colectânea de contos de 1909. E porquê? Em primeiro lugar porque assistimos ao desfilar de personagens estranhas, bizarras, misteriosas. Em segundo lugar, porque o narrador as capta gerindo o suspense, o imprevisto, e porque usa de um humor sem preconceito.
Algumas das personagens que dominam estas histórias são: D. Joaquina, uma viúva de quarenta anos, que se veste de negro e de expressão dolorosa, para convencer o narrador a ajudá-la e esconde uma vida que não é de todo inocente; a belíssima e sofisticada Leonor Gelder, cunhada dos israelitas Bega, que o narrador frequenta em Amesterdão, mulher que o narrador deseja, mas cujas intenções são bem concretas; Monsenhor Simas, personagem insólita, rodeado de três insólitas irmãs, que focalizam o interesse das suas vidas provincianas na inauguração de uma retrete, novidade ao tempo, naquelas paragens de Vila Real de S. António.
Nos restantes contos, «O Álbum», «Sede de Sangue», «O Triste Fim do Major Tatibiate» e «Profecia Certa» encontramos outras tantas personagens singulares, com as suas manias e as suas aparências enganosas.
De todos, um dos mais interessantes é «Profecia Certa», um conto primorosamente construído numa longa analepse. Nele assiste-se à desgraça de Helena que troca o seu namorado, pobre estudante de Medicina, por um bem parecido alferes, com quem se casa, ignorante da doença terrível que irá destruir o seu casamento. Mas o seu primeiro namorado já o sabia…
Quem gosta de histórias surpreendentes não ficará desiludido com Gente Singular. Sem dúvida.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
O BESTIÁRIO DA BESC (3)
A cabra transmite à terra o que sabe
presa à sua sombra, chuvosa, a cabra
quebra o silêncio das raízes, rumina
as fezes, investe até ao fundo
contra a solidão, cata ruínas
com a mesma paixão do tempo
A cabra no escuro, tanto
lhe faz quando a noite a roce
no vento pelos úberes, os úberes
da cabra riscam a noite
de branco.
J.T. Parreira

POEMA(S) DA CABRA
(…)
Quem já encontrou uma cabra
que tivesse ritmos domésticos?
O grosso derrame do porco,
da vaca, do sono e de tédio?
Quem encontrou cabra que fosse
animal de sociedade?
Tal o cão, o gato, o cavalo,
diletos do homem e da arte?
A cabra guarda todo o arisco,
rebelde, do animal selvagem,
viva demais que é para ser
animal dos de luxo ou pajem.
Viva demais para não ser,
quando colaboracionista,
o reduzido irredutível,
o inconformado conformista.
Poemas escolhidos pelos alunos do 10º C
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
O BESTIÁRIO DA BESC (2)

Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
Fernando Pessoa, Poesias
Poema escolhido pela aluna Tânia Henriques, do 10º A
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
O BESTIÁRIO DA BESC (1)
Do peru, está tudo dito. Elefante do aviário, o peru não aguenta mais ápodos. Podemos, no entanto, garantir que o peru rupe, que não é mau com puré e que, embora prue, morre muito com urpe.
O melhor peru é o do vale do Epru. Mas não paga a pena mandá-lo vir de lá. Chegaria a vossas casas sem aquele «repu» que o caracteriza. Podeis, perum, supermercá-lo: vitaminado, vacinado, pesado, congelado, embalado, comprovado. Aproveitai, no presente Natal, este superperu, que, para o ano, vendê-lo-ão já mastigado, em bisnagas cheias de préu.
Poema escolhido pelos alunos do 12º A e B
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
António Rodrigues de las Heras na IV Conferência PNL
sábado, 16 de outubro de 2010
Homenagem a MATILDE ROSA ARAÚJO na IV Conferência PNL
Sobre a sua vida e obra, relembramos o texto recentemente publicado, na edição de Junho do jornal escolar, O Intervalo, do Agrupamento de Escolas de Pedrógão Grande. A aluna Mónica Baeta do 5º A, escreveu-o pouco antes da autora nos deixar, apresentando a sua vida e obra, pela boca do livros "As Fadas Verdes".
Via RBE
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
IV Conferência Internacional PLANO NACIONAL DE LEITURA
15 e 16 de Outubro - 9:30h
Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa
Entrada livre
Programa
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Teixeira Gomes – A Literatura de um Presidente

Ana Garrido, Carla Diogo e Lina HeitorGostava mais do povo trabalhador do que da burguesia alambicada e egoísta este grande senhor das letras que nasceu numa família rica e poderosa de Portimão em 27 de Maio de 1860… (1)
Em tempos de memórias da Implantação da República, lembrámo-nos de ler e divulgar Manuel Teixeira Gomes, o escritor e o republicano que chegou a Presidente. Elegeram-no em 1923, abandonou o cargo em 1925. Não foi, contudo, o mais breve Presidente nem o único que se dedicou à Literatura. Dos dezoito presidentes que a República Portuguesa teve até hoje, dois outros - Manuel de Arriaga, o primeiro, e Teófilo Braga, o segundo - foram poetas, e Teófilo Braga com vasta obra no campo da poesia e da recolha e crítica literárias.
Teixeira Gomes, não sendo um escritor divulgado nas nossas escolas, é dotado de uma excelente escrita, que, indubitavelmente, agrada aos amantes da leitura. É sensual, gostosa, rica, desenhando personagens surpreendentes, finais inesperados e paisagens que visualmente nos chegam intactas.
Dado que viajou muito e permaneceu no estrangeiro em longas temporadas, por motivos políticos ou de negócio, e também nos dezasseis anos de exílio final da sua vida, conheceu sociedades e paisagens diversíssimas que transportou para os seus escritos: França, Holanda, Itália, Norte de África…
Algumas das suas narrativas mais conhecidas são Maria Adelaide, Novelas Eróticas e Gente Singular (colectânea de contos). A sua obra reflecte a sua personalidade, o seu génio de narrador e as suas experiências de vida filtradas pela lucidez, pelo sentido estético e pelo humor.
Na sua formação, conta-se a frequência do curso de Medicina em Coimbra, de que desistiu, para desgosto do pai, grande proprietário algarvio. Instalado em Lisboa, conviveu com os escritores João de Deus e Fialho de Almeida. Com 39 anos, juntou-se a Belmira das Neves, filha de pescadores, de quem teve duas filhas.
Na política, foi, desde jovem, republicano, tendo colaborado no jornal A Luta, de Brito Camacho. Depois da Implantação da República, em 1910, foi ministro de Portugal em Londres, em Madrid e delegado de Portugal nas Nações Unidas. Em 6 de Agosto de 1923, foi eleito Presidente da República, numa situação governativa extremamente instável, cargo a que resignaria em 1925, alegando motivos de saúde, após o que saiu de Portugal para não mais voltar.
Nas palavras de Teixeira Gomes, a explicação de tão breve governo é elucidativa:
A política longe de me oferecer encantos ou compensações converteu-se para mim, talvez por exagerada sensibilidade minha, num sacrifício inglório. Dia a dia, vejo desfolhar, de uma imaginária jarra de cristal, as minhas ilusões políticas. Sinto uma necessidade, porventura fisiológica, de voltar às minhas preferências, às minhas cadeiras e aos meus livros. (2)
Morreu aos 81 anos, em Bougie, na Argélia.O dinheiro que tinha consigo chegou à justa para pagar a conta do hotel e as despesas do funeral. Nunca manifestou qualquer desejo respeitante ao seu enterro. Não costumava falar da morte. Por vezes chegou a desejá-la, nas horas de maior sofrimento. O orgulho, porém, vencia nele a dor física – esse indomável orgulho que o fez resignar as funções de chefe de estado, o orgulho que o levou ao exílio, o orgulho que não o deixou voltar a Portugal, o orgulho que o fez morrer longe da família e dos amigos, num quarto de hotel onde viveu dez anos, num desconforto moral arrepiante. (3)
Na pátria, em pleno Salazarismo, aquando da trasladação dos seus restos mortais, em 1950, o funeral de Teixeira Gomes, em Portimão, deu azo a uma grandiosa manifestação republicana.
Se ficou interessado neste autor e na sua escrita, leia as obras Maria Adelaide e Gente Singular, que serão objecto de duas pequenas análises em breve publicadas neste blogue.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Elogio da Biblioteca (3)
«E você fica com o livro por quanto tempo quiser.» Entendem? Valia mais do que me dar o livro: «pelo tempo que eu quisesse» é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
Elogio da Biblioteca (2)
Faz parte das minhas lendas – como essa de dizer-se que eu sabia o Larousse de cor aos sete anos − atribuírem-me centenas de visões do Johnny Guitar. Num caso como noutro há exageros. Só vi o Johnny Guitar 68 vezes, entre 1957 e 1988. (…)Quando o bando de Emma entra pelo saloon de Vienna, para a prender, os misteriosos croupiers param as roletas. Enfrentando Emma com o seu terrível olhar, Vienna, sem desviar os olhos dela, dá uma seca ordem: «Keep the wheel spinning, Ed. I like to ear it spin. No fim de cada visão de Johnny Guitar só me apetece dizer aos projeccionistas: «Keep the film spinning. I like to see it spin.» Tanto, tanto.
João Bénard da Costa, Os Filmes da Minha Vida
Elogio da Biblioteca (1)
A miúda fitou-me com os seus olhos azuis, sorriu imperceptivelmente e sentou-se ao piano. Ajeitou a saia à roda do banco e, de mãos imóveis no teclado, apesar do nosso silêncio, esperou ainda pela nossa atenção ou pela sua.quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Mário Vargas Llosa - PRÉMIO NOBEL da LITERATURA 2010
Uma distinção que vem reconhecer a vitalidade e qualidade de um autor pertencente a um universo literário, o latino-americano, já com diversos escritores galardoados com o Nobel:
Gabriela Mistral - 1945, Chile
Juan Ramón Jiménez - 1956, Venezuela
Miguel Angel Asturias - 1967, Guatemala
Pablo Neruda - 1971, Chile
Gabriel Garcia Marquez - 1982, Colômbia
Octavio Paz - 1990, México
Mario Vargas Llosa - 2010, Perú
via RBE
domingo, 26 de setembro de 2010
LeYa lança e-books
terça-feira, 21 de setembro de 2010
BOM ANO LECTIVO 2010-2011
domingo, 20 de junho de 2010
JOSÉ SARAMAGO no New York Times
JOSÉ SARAMAGO (1922-2010)
A Maior Flor do Mundo from Fundação Jose Saramago on Vimeo.
Sugestão: Prof. Paulo Mendes
sábado, 19 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
JOSÉ SARAMAGO (1922-2010)
Quando ele terminou, as mãos dela já não estavam frias, as suas ardiam, por isso foi que as mãos se deram às mãos e não se estranharam. Passava muito da uma hora da madrugada quando o violoncelista perguntou, Quer que chame um táxi para a levar ao hotel, e a mulher respondeu, Não, ficarei contigo, e ofereceu-lhe a boca. Entraram no quarto, despiram-se e o que estava escrito que aconteceria, aconteceu enfim, e outra vez, e outra ainda. Ele adormeceu, ela não. Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu».
quarta-feira, 9 de junho de 2010
DURANTE OS EXAMES NACIONAIS, CONTINUA A CONTAR COM O APOIO DA TUA BIBLIOTECA
3ª COLECTIVA ARTES
domingo, 6 de junho de 2010
PROJECTO DA BIBLIOTECA ESCOLAR APOIADO PELA FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN
TMN lança livros para telemóveis
sábado, 5 de junho de 2010
TOP escritores com menos de 40 anos, segundo a New Yorker
-Chimamanda Ngozi Adichie (32 anos)
- Chris Adrian (39)
- Daniel Alarcón (33)
- David Bezmozgis (37)
- Sarah Shun-lien Bynum (38)
- Joshua Ferris (35)
- Jonathan Safran Foer (33)
- Nell Freudenberger (35)
- Rivka Galchen (34)
- Nicole Krauss (35)
- Yiyun Li (37)
- Dinaw Mengestu (31)
- Philipp Meyer (36)
- C. E. Morgan (33)
- Téa Obreht (24)
- Z. Z. Packer (37)
- Karen Russell (28)
- Salvatore Scibona (35)
- Gary Shteyngart (37)
- Wells Tower (37)
Alguns destes autores estão editados em Portugal: Chimamanda Ngozi Adichie (Meio Sol Amarelo*, ASA) , Joshua Ferris (Então Chegámos ao Fim, Casa das Letras), Jonathan Safran Foer (Está Tudo Iluminado, Temas e Debates; Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, Quetzal) ou Nicole Krauss (A História do Amor, Dom Quixote).
* existe na Biblioteca.
Fonte: http://bibliotecariodebabel.com/
sexta-feira, 4 de junho de 2010
João Aguiar (1943-2010)
quarta-feira, 2 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
eBooks: é já a seguir em Espanha e França
http://www.ciberescritas.com/?p=8045
domingo, 30 de maio de 2010
18ª JORNADAS DE BIBLIOTECAS INFANTILES JUVENILES Y ESCOLARES: PROGRAMA Y OTRAS INFORMACIONES
Salamanca, Fundação Germán Sánchez Ruipérez, 26 a 29 Maio
•Perfilar propuestas que permitan a la escuela y la biblioteca tomar postura ante los desafíos presentes y futuros planteados por este nuevo contexto.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Conferência "Escrever antes de ver, os relatos de viagem portugueses e a aprendizagem da Ásia Oriental no início do séc. XVI" - Retratos
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Jogos de computador e Web 2.0 – Desafios para a formação dos bibliotecários
quarta-feira, 19 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
1º de Maio
Sugestão: Prof. Esmeralda Lopes



























