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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Poema da semana - José Craveirinha (28 de Maio de 1922 - 6 de Fevereiro de 2003)



Memoria del Festival Internacional de Poesía de Medellín. En su poema, leído en portugués, con subtítulos en castellano, el poeta y héroe nacional de Mozambique José Craveirinha, se expresa la atmósfera de la lucha clasista de los mineros del carbón de su país y el significado del espíritu de resistencia de los trabajadores contra los patronos, expoliadores.

José Craveirinha nació en Maputo, Mozambique, Africa, en 1922. Se desempeñó como periodista. Fue uno de los grandes poetas de Africa durante el siglo XX y de la lengua portuguesa. Su obra estuvo ligada a la defensa de los derechos de los pueblos africanos. Recibió numerosos premios en diversas países del mundo, entre ellos el Premio Nacional de Poesía de Italia, el Lotus de escritores Afro-Asiáticos, y el Premio Continental de Poesía en Africa y otros reconocimientos importantes en Brasil y Portugal. Fue el primer presidente de la asamblea general de la Asociación de escritores mozambicanos, cargo en el que permaneció hasta 1987. Algunos de sus libros, son: Xigubo, Karingana ua Karingana. Murió hace algunos años y en su sepelio se dispararon en su honor varios cañonazos, pues fue considerado héroe nacional de su país en la lucha independentista del Frente de Liberación de Mozambique (Frelimo).
 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

27 de Janeiro: Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto


Que valor tem uma data num quotidiano efémero?
Que significado transporta uma imagem ou um poema aos sentidos embotados pela sua banalização?
Que fazer com um legado que persiste tão presente?
As respostas são plurais, como o é a nossa vida. É essencialmente uma visão que rejeitou o plural que esta semana se relembra, para que os seus efeitos permaneçam indeléveis no espaço da memória colectiva.
Volvido mais de ½ século sobre o dia 27 de Janeiro de 1945, em que as tropas soviéticas libertaram o maior campo de concentração nazi, o de Auschwitz-Birkenau, o pensamento e o poema da semana recriam a experiência indizível de muitos dos seus ocupantes, valorizando, simultaneamente, o poder libertador da palavra e do texto literário.
O seguinte link permite visualizar curtos documentários sobre a temática: http://www.ushmm.org/wlc/ptbr/media_list.php?MediaType=fi



PENSAMENTO DA SEMANA

"Apenas uma coisa permaneceu acessível, próxima e segura no meio de todas as perdas: a linguagem. Sim, a linguagem. Apesar de tudo, manteve-se protegida contra a perda. Mas teve de passar pela sua própria falta de respostas, através do silêncio aterrador, através das mil escuridões do discurso assassino. Atravessou. Não me deu palavras para o que estava a acontecer, mas atravessou-o. Atravessou e pôde ressurgir, "enriquecida" por tudo isso. "
Excerto das palavras proferidas por Paul Celan, em 1958, ao receber o Prémio Literário da Cidade Livre Hanseática de Bremen
Tradução da versão inglesa publicada em: http://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Celan


POEMA DA SEMANA

Fuga da Morte
de Paul Celan
Leite negro da madrugada bebemo-lo ao entardecer
bebemo-lo ao meio-dia e pela manhã bebemo-lo de noite
bebemos e bebemos
cavamos um túmulo nos ares aí não ficamos apertados
Na casa vive um homem que brinca com serpentes escreve
escreve ao anoitecer para a Alemanha os teus cabelos de ouro
Margarete
escreve e põe-se à porta da casa e as estrelas brilham
assobia e vêm os seus cães
assobia e saem os seus judeus manda abrir uma vala na terra
ordena-nos agora toquem para começar a dança


Leite negro da madrugada bebemos-te de noite
bebemos-te pela manhã e ao meio-dia bebemos-te ao entardecer
bebemos e bebemos
Na casa vive um homem que brinca com serpentes escreve
escreve ao anoitecer para a Alemanha os teus cabelos de ouro
Margarete
Os teus cabelos de cinza Sulamith cavamos um túmulo nos ares
aí não ficamos apertados


Ele grita cavem mais fundo no reino da terra vocês aí e vocês
outros cantem e toquem
leva a mão ao ferro que traz à cintura balança-o azuis são os seus
olhos
enterrem as pás mais fundo no reino da terra vocês aí e vocês outros continuem
a tocar para a dança


Leite negro da madrugada bebemos-te de noite
bebemos-te ao meio-dia e pela manhã bebemos-te ao entardecer
bebemos e bebemos
na casa vive um homem os teus cabelos de ouro Margarete
os teus cabelos de cinza Sulamith ele brinca com as serpentes
E grita toquem mais doce a música da morte a morte é um mestre
que veio da Alemanha
grita arranquem tons mais escuros dos violinos depois feitos fumo
subireis aos céus
e tereis um túmulo nas nuvens aí não ficamos apertados


Leite negro da madrugada bebemos-te de noite
bebemos-te ao meio-dia a morte é um mestre que veio da Alemanha
bebemos-te ao entardecer e pela manhã bebemos e bebemos
a morte é um mestre que veio da Alemanha azuis são os teus olhos
atinge-te com bala de chumbo acerta-te em cheio
na casa vive um homem os teus cabelos de ouro Margarete
atiça contra nós os seus cães oferece-nos um túmulo nos ares
brinca com as serpentes e sonha a morte é um mestre que veio
da Alemanha


os teus cabelos de ouro Margarete
os teus cabelos de cinza Sulamith

In Sete rosas mais tarde. Antologia poética. Seleção, tradução e introdução de João Barrento e Y. K. Centeno. Lisboa: Edições Cotovia, 1996, pp. 15-19.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Poema da semana






AS AMORAS


O meu país sabe às amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade

(O OUTRO NOME DA TERRA)

Fonte: http://www.fundacaoeugenioandrade.pt/

Eugénio de Andrade nasceu na Póvoa de Atalaia (19 de Janeiro de1923), uma aldeia da Beira Baixa onde passou a infância ... http://cvc.instituto-camoes.pt/figuras/eandrade.html

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Poema da semana


As canseiras desta vida




As canseiras desta vida

tanta mãe envelhecida

a escovar

a escovar

a jaqueta carcomida

fica um farrapo a brilhar



Cozinheira que se esmera

faz a sopa de miséria

a contar

a contar

os tostões da minha féria

e a panela a protestar



Dás as voltas ao suor

fim do mês é dia 30

e a sexta é depois da quinta

sempre de mal a pior



E cada um se lamenta

que isto assim não pode ser

que esta vida não se aguenta

-o que é que se há-de fazer?



Corta a carne, corta o peixe

não há pão que o preço deixe

a poupar

a poupar

a notinha que se queixa

tão difícil de ganhar



Anda a mãe do passarinho

a acartar o pão pró ninho

a cansar

a cansar

com a lama do caminho

só se sabe lamentar



É mentira, é verdade

vai o tempo, vem a idade

a esticar

a esticar

a ilusão de liberdade

pra morrer sem acordar



É na morte ou é na vida

que está a chave escondida

do portão

do portão

deste beco sem saída

-qual será a solução?


José Mário Branco

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009

Actividade "Poema e Pensamento da Semana"


PENSAMENTO DA SEMANA


«Nunca chegamos aos pensamentos. São eles que vêm.»

Martin Heidegger



A tua BE traz-te todas as semanas um pensamento.

Traz outro pensamento também. Participa nesta actividade.



POEMA DA SEMANA


«Sei que o poema é qualquer coisa que nos transforma. O poeta sonha sempre transformar o homem, mudar a vida.»



Eugénio de Andrade



A poesia é essencial à vida, transforma-a, muda-a, melhora-a. Aqui na BE da ESC, damos o nosso contributo para que isso seja uma realidade semana após semana.

Traz outro poema também. Participa nesta actividade.