A equipa da biblioteca
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
A BESC deseja a todos um bom ano letivo e boas leituras!
A equipa da biblioteca
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Gente Singular, sem dúvida
Decerto que qualquer espírito amante da leitura e da originalidade ficará contente ao saborear as histórias de Gente Singular, uma colectânea de contos de 1909. E porquê? Em primeiro lugar porque assistimos ao desfilar de personagens estranhas, bizarras, misteriosas. Em segundo lugar, porque o narrador as capta gerindo o suspense, o imprevisto, e porque usa de um humor sem preconceito.
Algumas das personagens que dominam estas histórias são: D. Joaquina, uma viúva de quarenta anos, que se veste de negro e de expressão dolorosa, para convencer o narrador a ajudá-la e esconde uma vida que não é de todo inocente; a belíssima e sofisticada Leonor Gelder, cunhada dos israelitas Bega, que o narrador frequenta em Amesterdão, mulher que o narrador deseja, mas cujas intenções são bem concretas; Monsenhor Simas, personagem insólita, rodeado de três insólitas irmãs, que focalizam o interesse das suas vidas provincianas na inauguração de uma retrete, novidade ao tempo, naquelas paragens de Vila Real de S. António.
Nos restantes contos, «O Álbum», «Sede de Sangue», «O Triste Fim do Major Tatibiate» e «Profecia Certa» encontramos outras tantas personagens singulares, com as suas manias e as suas aparências enganosas.
De todos, um dos mais interessantes é «Profecia Certa», um conto primorosamente construído numa longa analepse. Nele assiste-se à desgraça de Helena que troca o seu namorado, pobre estudante de Medicina, por um bem parecido alferes, com quem se casa, ignorante da doença terrível que irá destruir o seu casamento. Mas o seu primeiro namorado já o sabia…
Quem gosta de histórias surpreendentes não ficará desiludido com Gente Singular. Sem dúvida.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
O BESTIÁRIO DA BESC (3)
A cabra transmite à terra o que sabe
presa à sua sombra, chuvosa, a cabra
quebra o silêncio das raízes, rumina
as fezes, investe até ao fundo
contra a solidão, cata ruínas
com a mesma paixão do tempo
A cabra no escuro, tanto
lhe faz quando a noite a roce
no vento pelos úberes, os úberes
da cabra riscam a noite
de branco.
J.T. Parreira

POEMA(S) DA CABRA
(…)
Quem já encontrou uma cabra
que tivesse ritmos domésticos?
O grosso derrame do porco,
da vaca, do sono e de tédio?
Quem encontrou cabra que fosse
animal de sociedade?
Tal o cão, o gato, o cavalo,
diletos do homem e da arte?
A cabra guarda todo o arisco,
rebelde, do animal selvagem,
viva demais que é para ser
animal dos de luxo ou pajem.
Viva demais para não ser,
quando colaboracionista,
o reduzido irredutível,
o inconformado conformista.
Poemas escolhidos pelos alunos do 10º C
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
O BESTIÁRIO DA BESC (2)

Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
Fernando Pessoa, Poesias
Poema escolhido pela aluna Tânia Henriques, do 10º A
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
O BESTIÁRIO DA BESC (1)
Do peru, está tudo dito. Elefante do aviário, o peru não aguenta mais ápodos. Podemos, no entanto, garantir que o peru rupe, que não é mau com puré e que, embora prue, morre muito com urpe.
O melhor peru é o do vale do Epru. Mas não paga a pena mandá-lo vir de lá. Chegaria a vossas casas sem aquele «repu» que o caracteriza. Podeis, perum, supermercá-lo: vitaminado, vacinado, pesado, congelado, embalado, comprovado. Aproveitai, no presente Natal, este superperu, que, para o ano, vendê-lo-ão já mastigado, em bisnagas cheias de préu.
Poema escolhido pelos alunos do 12º A e B
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
António Rodrigues de las Heras na IV Conferência PNL
sábado, 16 de outubro de 2010
Homenagem a MATILDE ROSA ARAÚJO na IV Conferência PNL
Sobre a sua vida e obra, relembramos o texto recentemente publicado, na edição de Junho do jornal escolar, O Intervalo, do Agrupamento de Escolas de Pedrógão Grande. A aluna Mónica Baeta do 5º A, escreveu-o pouco antes da autora nos deixar, apresentando a sua vida e obra, pela boca do livros "As Fadas Verdes".
Via RBE
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
IV Conferência Internacional PLANO NACIONAL DE LEITURA
15 e 16 de Outubro - 9:30h
Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa
Entrada livre
Programa
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Teixeira Gomes – A Literatura de um Presidente

Ana Garrido, Carla Diogo e Lina HeitorGostava mais do povo trabalhador do que da burguesia alambicada e egoísta este grande senhor das letras que nasceu numa família rica e poderosa de Portimão em 27 de Maio de 1860… (1)
Em tempos de memórias da Implantação da República, lembrámo-nos de ler e divulgar Manuel Teixeira Gomes, o escritor e o republicano que chegou a Presidente. Elegeram-no em 1923, abandonou o cargo em 1925. Não foi, contudo, o mais breve Presidente nem o único que se dedicou à Literatura. Dos dezoito presidentes que a República Portuguesa teve até hoje, dois outros - Manuel de Arriaga, o primeiro, e Teófilo Braga, o segundo - foram poetas, e Teófilo Braga com vasta obra no campo da poesia e da recolha e crítica literárias.
Teixeira Gomes, não sendo um escritor divulgado nas nossas escolas, é dotado de uma excelente escrita, que, indubitavelmente, agrada aos amantes da leitura. É sensual, gostosa, rica, desenhando personagens surpreendentes, finais inesperados e paisagens que visualmente nos chegam intactas.
Dado que viajou muito e permaneceu no estrangeiro em longas temporadas, por motivos políticos ou de negócio, e também nos dezasseis anos de exílio final da sua vida, conheceu sociedades e paisagens diversíssimas que transportou para os seus escritos: França, Holanda, Itália, Norte de África…
Algumas das suas narrativas mais conhecidas são Maria Adelaide, Novelas Eróticas e Gente Singular (colectânea de contos). A sua obra reflecte a sua personalidade, o seu génio de narrador e as suas experiências de vida filtradas pela lucidez, pelo sentido estético e pelo humor.
Na sua formação, conta-se a frequência do curso de Medicina em Coimbra, de que desistiu, para desgosto do pai, grande proprietário algarvio. Instalado em Lisboa, conviveu com os escritores João de Deus e Fialho de Almeida. Com 39 anos, juntou-se a Belmira das Neves, filha de pescadores, de quem teve duas filhas.
Na política, foi, desde jovem, republicano, tendo colaborado no jornal A Luta, de Brito Camacho. Depois da Implantação da República, em 1910, foi ministro de Portugal em Londres, em Madrid e delegado de Portugal nas Nações Unidas. Em 6 de Agosto de 1923, foi eleito Presidente da República, numa situação governativa extremamente instável, cargo a que resignaria em 1925, alegando motivos de saúde, após o que saiu de Portugal para não mais voltar.
Nas palavras de Teixeira Gomes, a explicação de tão breve governo é elucidativa:
A política longe de me oferecer encantos ou compensações converteu-se para mim, talvez por exagerada sensibilidade minha, num sacrifício inglório. Dia a dia, vejo desfolhar, de uma imaginária jarra de cristal, as minhas ilusões políticas. Sinto uma necessidade, porventura fisiológica, de voltar às minhas preferências, às minhas cadeiras e aos meus livros. (2)
Morreu aos 81 anos, em Bougie, na Argélia.O dinheiro que tinha consigo chegou à justa para pagar a conta do hotel e as despesas do funeral. Nunca manifestou qualquer desejo respeitante ao seu enterro. Não costumava falar da morte. Por vezes chegou a desejá-la, nas horas de maior sofrimento. O orgulho, porém, vencia nele a dor física – esse indomável orgulho que o fez resignar as funções de chefe de estado, o orgulho que o levou ao exílio, o orgulho que não o deixou voltar a Portugal, o orgulho que o fez morrer longe da família e dos amigos, num quarto de hotel onde viveu dez anos, num desconforto moral arrepiante. (3)
Na pátria, em pleno Salazarismo, aquando da trasladação dos seus restos mortais, em 1950, o funeral de Teixeira Gomes, em Portimão, deu azo a uma grandiosa manifestação republicana.
Se ficou interessado neste autor e na sua escrita, leia as obras Maria Adelaide e Gente Singular, que serão objecto de duas pequenas análises em breve publicadas neste blogue.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Elogio da Biblioteca (3)
«E você fica com o livro por quanto tempo quiser.» Entendem? Valia mais do que me dar o livro: «pelo tempo que eu quisesse» é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
Elogio da Biblioteca (2)
Faz parte das minhas lendas – como essa de dizer-se que eu sabia o Larousse de cor aos sete anos − atribuírem-me centenas de visões do Johnny Guitar. Num caso como noutro há exageros. Só vi o Johnny Guitar 68 vezes, entre 1957 e 1988. (…)Quando o bando de Emma entra pelo saloon de Vienna, para a prender, os misteriosos croupiers param as roletas. Enfrentando Emma com o seu terrível olhar, Vienna, sem desviar os olhos dela, dá uma seca ordem: «Keep the wheel spinning, Ed. I like to ear it spin. No fim de cada visão de Johnny Guitar só me apetece dizer aos projeccionistas: «Keep the film spinning. I like to see it spin.» Tanto, tanto.
João Bénard da Costa, Os Filmes da Minha Vida
Elogio da Biblioteca (1)
A miúda fitou-me com os seus olhos azuis, sorriu imperceptivelmente e sentou-se ao piano. Ajeitou a saia à roda do banco e, de mãos imóveis no teclado, apesar do nosso silêncio, esperou ainda pela nossa atenção ou pela sua.quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Mário Vargas Llosa - PRÉMIO NOBEL da LITERATURA 2010
Uma distinção que vem reconhecer a vitalidade e qualidade de um autor pertencente a um universo literário, o latino-americano, já com diversos escritores galardoados com o Nobel:
Gabriela Mistral - 1945, Chile
Juan Ramón Jiménez - 1956, Venezuela
Miguel Angel Asturias - 1967, Guatemala
Pablo Neruda - 1971, Chile
Gabriel Garcia Marquez - 1982, Colômbia
Octavio Paz - 1990, México
Mario Vargas Llosa - 2010, Perú
via RBE
domingo, 26 de setembro de 2010
LeYa lança e-books
terça-feira, 21 de setembro de 2010
BOM ANO LECTIVO 2010-2011
domingo, 20 de junho de 2010
JOSÉ SARAMAGO no New York Times
JOSÉ SARAMAGO (1922-2010)
A Maior Flor do Mundo from Fundação Jose Saramago on Vimeo.
Sugestão: Prof. Paulo Mendes
sábado, 19 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
JOSÉ SARAMAGO (1922-2010)
Quando ele terminou, as mãos dela já não estavam frias, as suas ardiam, por isso foi que as mãos se deram às mãos e não se estranharam. Passava muito da uma hora da madrugada quando o violoncelista perguntou, Quer que chame um táxi para a levar ao hotel, e a mulher respondeu, Não, ficarei contigo, e ofereceu-lhe a boca. Entraram no quarto, despiram-se e o que estava escrito que aconteceria, aconteceu enfim, e outra vez, e outra ainda. Ele adormeceu, ela não. Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu».
quarta-feira, 9 de junho de 2010
DURANTE OS EXAMES NACIONAIS, CONTINUA A CONTAR COM O APOIO DA TUA BIBLIOTECA
3ª COLECTIVA ARTES
domingo, 6 de junho de 2010
PROJECTO DA BIBLIOTECA ESCOLAR APOIADO PELA FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN
TMN lança livros para telemóveis
sábado, 5 de junho de 2010
TOP escritores com menos de 40 anos, segundo a New Yorker
-Chimamanda Ngozi Adichie (32 anos)
- Chris Adrian (39)
- Daniel Alarcón (33)
- David Bezmozgis (37)
- Sarah Shun-lien Bynum (38)
- Joshua Ferris (35)
- Jonathan Safran Foer (33)
- Nell Freudenberger (35)
- Rivka Galchen (34)
- Nicole Krauss (35)
- Yiyun Li (37)
- Dinaw Mengestu (31)
- Philipp Meyer (36)
- C. E. Morgan (33)
- Téa Obreht (24)
- Z. Z. Packer (37)
- Karen Russell (28)
- Salvatore Scibona (35)
- Gary Shteyngart (37)
- Wells Tower (37)
Alguns destes autores estão editados em Portugal: Chimamanda Ngozi Adichie (Meio Sol Amarelo*, ASA) , Joshua Ferris (Então Chegámos ao Fim, Casa das Letras), Jonathan Safran Foer (Está Tudo Iluminado, Temas e Debates; Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, Quetzal) ou Nicole Krauss (A História do Amor, Dom Quixote).
* existe na Biblioteca.
Fonte: http://bibliotecariodebabel.com/
sexta-feira, 4 de junho de 2010
João Aguiar (1943-2010)
quarta-feira, 2 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
eBooks: é já a seguir em Espanha e França
http://www.ciberescritas.com/?p=8045
domingo, 30 de maio de 2010
18ª JORNADAS DE BIBLIOTECAS INFANTILES JUVENILES Y ESCOLARES: PROGRAMA Y OTRAS INFORMACIONES
Salamanca, Fundação Germán Sánchez Ruipérez, 26 a 29 Maio
•Perfilar propuestas que permitan a la escuela y la biblioteca tomar postura ante los desafíos presentes y futuros planteados por este nuevo contexto.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Conferência "Escrever antes de ver, os relatos de viagem portugueses e a aprendizagem da Ásia Oriental no início do séc. XVI" - Retratos
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Jogos de computador e Web 2.0 – Desafios para a formação dos bibliotecários
quarta-feira, 19 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
1º de Maio
Sugestão: Prof. Esmeralda Lopes
sexta-feira, 30 de abril de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
Dia Mundial do Livro - A palavra de África
Cartaz: Prof. Miguel Brinca
Ideia para o bolo: Prof. Fernanda Martins
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Festa da Francofonia
Cartaz: Prof. Fernanda Martins
domingo, 25 de abril de 2010
25 de ABRIL
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen
sábado, 24 de abril de 2010
Alice no País das Maravilhas - versão manuscrita
sexta-feira, 23 de abril de 2010
DIA MUNDIAL DO LIVRO (3)
DIA MUNDIAL DO LIVRO (2)
AS ÁRVORES E OS LIVROS
As árvores e os livros
As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.
E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.
As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».
É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.
Jorge Sousa Braga, Herbário (2002)
quinta-feira, 22 de abril de 2010
DIA DA TERRA (2)
Quem me dera ter raízes,
que me prendessem ao chão.
Que não me deixassem dar
um passo que fosse em vão.
Que me deixassem crescer
silencioso e erecto,
como um pinheiro de riga,
uma faia ou um abeto.
Quem me dera ter raízes,
raízes em vez de pés.
Como o lodão, o aloendro,
o ácer e o aloés.
Sentir a copa vergar,
quando passasse um tufão.
E ficar bem agarrado,
pelas raízes, ao chão.
Jorge Sousa Braga
DIA DA TERRA
Georges-Pierre Seurat
Art Institute of Chicago
Explanation: Welcome to Planet Earth, the third planet from a star named the Sun. The Earth is shaped like a sphere and composed mostly of rock. Over 70 percent of the Earth's surface is water. The planet has a relatively thin atmosphere composed mostly of nitrogen and oxygen. Earth has a single large Moon that is about 1/4 of its diameter and, from the planet's surface, is seen to have almost exactly the same angular size as the Sun. With its abundance of liquid water, Earth supports a large variety of life forms, including potentially intelligent species such as dolphins and humans. Please enjoy your stay on Planet Earth.
Fonte: Astronomy picture of the day
quarta-feira, 21 de abril de 2010
A MATEMÁTICA E OS SEUS ENCANTOS - A beleza matemática das conchas marinhas
Jorge Picado
21 Abril 2010
18h00
Há uma grande beleza nas pistas que a natureza nos oferece e todos nós a podemos reconhecer sem nenhum treino matemático. Podemos ser tentados a pensar que o crescimento das plantas e animais, por causa das suas formas elaboradas, é governado por regras muito complexas. Surpreendentemente, isso nem sempre é verdade, como as conchas e os búzios exemplificam: o seu crescimento pode ser descrito por leis matemáticas admiravelmente simples. Esta ideia de que a matemática se encontra profundamente implicada nas formas naturais remonta aos gregos antigos. Citando o matemático inglês I. Stewart, «a matemática está para a natureza como Sherlock Holmes está para os indícios». Todos nós já reparámos que a concha de qualquer molusco pequeno é idêntica à concha de um molusco grande da mesma espécie, com excepção do tamanho. Uma é um modelo exacto, à escala, da outra. As conchas, com a sua forma auto-semelhante, podem ser representadas por superfícies tridimensionais, geradas por uma fórmula relativamente simples, requerendo somente matemática elementar. Maravilhosamente, apesar da simplicidade dessa equação, é possível descrever e gerar uma grande variedade de tipos diferentes de conchas. Quais? Todos nós (com muito poucas excepções!), como veremos nesta palestra.
Centenário da morte de Mark Twain (1835-1910)
Quem não lembra As Aventuras de Huckleberry Finn ou Tom Sawyer?Quem não se cruzou já com um dos muitos pensamentos deste autor que marcou uma geração de escritores norte-americanos?
Mark Twain, pseudónimo de Samuel Langhorne Clemens, nasceu a 30 de Novembro de 1835 e faleceu a 21 de Abril de 1910. O rio Mississipi marcou a sua vida desde a infância, tendo também dado origem ao pseudónimo adoptado, que significa "duas marcas", uma expressão utilizada pelos barqueiros para verificar a profundidade dos rios. A sua vida não foi fácil, tendo começado a trabalhar aos 12 anos, após a morte do pai. A paixão pelas viagens levou-o a conhecer, não só muitos dos estados do seu país, mas também a Europa e o Médio Oriente, aspecto que se reflecte no conhecimento transmitido na sua obra acerca da sociedade americana do seu tempo e da humanidade em geral, utilizando com frequência um sentido de humor que o eleva à categoria de grande humorista da literatura mundial. Muitos dos seus pensamentos preservam uma actualidade inegável, como pode constatar-se no exemplo seguinte:
http://en.wikipedia.org/wiki/Mark_Twain (adaptado)
Para rever um excerto de Huckleberry Finn:
terça-feira, 20 de abril de 2010
PERGUNTAS À LÍNGUA PORTUGUESA - MIA COUTO
Venho brincar aqui no Português, a língua.
Não aquela que outros embandeiram. Mas a língua nossa, essa que dá gosto a gente namorar e que nos faz a nós, moçambicanos, ficarmos mais Moçambique. Que outros pretendam cavalgar o assunto para fins de cadeira e poleiro pouco me acarreta.A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia. O que me apronta é o simples gosto da palavra, o mesmo que a asa sente aquando o voo. Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida. E quantas são? Se a Vida tem é idimensões?Assim, embarco nesse gozo de ver como escrita e o mundo mutuamente se desobedecem. Meu anjo-da-guarda, felizmente, nunca me guardou.Uns nos acalentam: que nós estamos a sustentar maiores territórios da lusofonia.Nós estamos simplesmente ocupados a sermos. Outros nos acusam: nós estamos a desgastar a língua. Nos falta domínio, carecemos de técnica.Ora qual é a nossa elegância? Nenhuma, excepto a de irmos ajeitando o pé a um novo chão. Ou estaremos convidando o chão ao molde do pé? Questões que dariam para muita conferência, papelosas comunicações.Mas nós, aqui na mais meridional esquina do Sul, estamos exercendo é a ciência de sobreviver. Nós estamos deitando molho sobre pouca farinha a ver se o milagre dos pães se repete na periferia do mundo, neste sulbúrbio.No enquanto, defendemos o direito de não saber, o gosto de saborear ignorâncias. Entretanto, vamos criando uma língua apta para o futuro, veloz como a palmeira, que dança todas as brisas sem deslocar seu chão.Língua artesanal, plástica, fugidia a gramáticas.Esta obra de reinvenção não é operação exclusiva dos escritores e linguistas. Recriamos a língua na medida em que somos capazes de produzir um pensamento novo, um pensamento nosso. O idioma, afinal, o que é senão o ovo das galinhas de ouro?Estamos, sim, amando o indomesticável, aderindo ao invisível, procurando os outros tempos deste tempo. Precisamos, sim, de senso incomum. Pois, das leis da língua, alguém sabe as certezas delas?Ponho as minhas irreticências. Veja-se, num sumário exemplo, perguntas que se podem colocar à língua:
• Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?
• No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?
• A diferença entre um ás no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?
Fonte: http://www.dsignos.com.br/curiosidades/DS_Texto_Perguntas%20a%20LP_MiaCouto.pdf• O mato desconhecido é que é o anonimato?
• O pequeno viaduto é um abreviaduto?
• Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente.
• Quem vive numa encruzilhada é um encruzilhéu?
• Se diz do brado de bicho que não dispõe de vértebras: o invertebrado?
• Tristeza do boi vem de ele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é uma reencornação?
• O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?
• Onde se esgotou a água se deve dizer: "aquabou"?
• Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?
• Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?
• Mulher desdentada pode usar fio dental?
• A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?
• As reservas de dinheiro são sempre finas. Será daí que vem o nome: "finanças"?
• Um tufão pequeno: um tufinho?
• O cavalo duplamente linchado é aquele que relincha?
• Em águas doces alguém se pode salpicar?
• Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?
• Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?
• Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
• Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?
Brincadeiras, brincriações.
E é coisa que não se termina.
Lembro a camponesa da Zambézia. Eu falo português corta-mato, dizia. Sim, isso que ela fazia é, afinal, trabalho de todos nós. Colocámos essoutro português - o nosso português - na travessia dos matos, fizemos com que ele se descalçasse pelos atalhos da savana.
Nesse caminho lhe fomos somando colorações. Devolvemos cores que dela haviam sido desbotadas - o racionalismo trabalha que nem lixívia. Urge ainda adicionar-lhe músicas e enfeites, somar-lhe o volume da superstição e a graça da dança.
É urgente recuperar brilhos antigos.
Devolver a estrela ao planeta dormente.
Mia Couto


























