domingo, 20 de maio de 2012

Mostra de Trabalhos Oficina-Saramago

Decorre entre 22 de maio e 8 de junho uma mostra de trabalhos no espaço da BE. Os trabalhos resultam de um projeto de ilustração da obra de Saramago " A maior flor do mundo" de alunos do 10ºF, 11ºE,F e G, sob orientação das professoras Fernanda Martins e Rosa Almeida.


domingo, 6 de maio de 2012

José e Pilar na BE


No âmbito do projeto Oficina-Saramago, a equipa da BE, pela mão das profªs Fernanda Martins e Rosa Almeida lançam o desafio a toda a comunidade escolar de dar a conhecer o belissimo documentário "José e Pilar".
José e Pilar esperam por vocês!

sábado, 28 de abril de 2012

Vanessa Duarte do 11ºC na Final do CNL

Foi no passado dia 26 que a nossa escola alcançou o 1º lugar na fase distrital do Concurso Nacional da Leitura. Este concurso promovido pelo PNL com apoio de várias entidades como a RTP e a RBE, realizou-se no auditório da Biblioteca Municipl de Alcácer do Sal.
Este ano o concurso contou com a participação de 89 alunos, do 3º ciclo e ensino secundário. A nossa escola esteve  representada por três alunas : Joana Verissimo (10ºB); Inês Costa (12ºB) e Vanessa Duarte do 11º C. O grupo foi acompanhado pelas professoras Esmeralda Lopes, Ana Garrido e Leonor Inácio.
Parabéns à Vanessa e às restantes participantes pelo empenho e por provarem que a leitura é um prazer que se partilha.



Prova de leitura
                                                          A espera pelos resultados
                                                          O prémio merecido
                O convivio e a boa disposição com as participantes da Escola Secundária de Santo André

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Filosofia na Besc a propósito de Liberdade e outros Problemas

Está patente na Biblioteca uma exposição de trabalhos de alunos de Filosofia, subordinada aos temas da Liberdade e dos Problemas do Mundo Contemporâneo.
As professoras responsáveis pela exposição, profªs  Graça Carvalho e Cecília Tomás, quiseram desta forma assinalar o dia do 25 de Abril.
Fica aqui a sugestão, venham fazer uma visita à BE!





segunda-feira, 23 de abril de 2012

    

Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor - 23 de abril

                                                   José Capitán del Rio
                       

                            " Sempre imaginei quer o paraíso fosse uma espécie de biblioteca"
                                                                                              Jorge Luís Borges

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Está quase....




É já no próximo dia 26 de Abril que se realiza a final distrital do Concurso Nacional de Leitura, promovido pelo PNL,  em Alcácer do Sal.
Boa sorte às nossas participantes!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

"Noites dentro com Saramago"

Mais uma vez damos a conhecer uma das iniciativas do Projeto "Oficina Saramago" Barreiro/Moita. As "Noites dentro com Saramago" iniciadas no passado dia 13 de abril (1ª sessão); 27 de abril (2ª sessão ) e a 11 de maio (3ª sessão).Sempre às 21.30. A partir de maio é a vez das sessões oficinais.
Estas atividades pretendem dar a conhecer a vida e obra de José Saramago. Cada uma das sessões irá apresentar várias das obras do escritor.
Tudo isto na Biblioteca Municipal do Barreiro.
A entrada é livre. Do que estão à espera?

terça-feira, 10 de abril de 2012

Convite-Projeto Oficina Saramago


Espetáculo "A Maior Flor do Mundo" - 11 e 12 de abril no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, Baixa da Banheira

quarta-feira, 14 de março de 2012

Convite-Projeto Oficina Saramago



Ciclo de Conferências
"Saramago: um escritor indignado" por Ana Paula Laborinho

Rui Zink na Besc- Semana da Leitura

A manhã de ontem na Besc foi bastante animada com a presença do escritor Rui Zink, conhecido pelo seu humor muito incisivo. O escritor e professor universitário destacou a importância da leitura como fundamental para que nos tornarmos melhores pessoas, cidadãos conscientes e critícos.
O encontro com o autor, que editou recentemente " O Amante é sempre o último a saber", foi sem dúvida bastante enriquecedor para todos os presentes que encheram o espaço da BE.

O nosso muito obrigado!
Equipa da BE

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Convite-Projeto Oficina Saramago


Ondajki na Besc





O escritor angolano Ondjaki esteve na Biblioteca da Escola Secundária de Casquilhos, para um encontro com a comunidade escolar, no dia 8 de fevereiro, pelas 10 horas.
O espaço da BE encheu-se para acolher com entusiasmo Ondjaki que a todos cativou com a sua simpatia. Com uma enorme capacidade de comunicação foi para todos os presentes um enorme prazer ouvir algumas das histórias vividas e imaginadas de Ondkaji.
Esta iniciativa insere-se no plano da BE para a promoção da leitura e a presença de Ondjaki representou para todos nós um encontro único com um dos melhores contadores de histórias da atualidade!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cartaz -Ensaio sobre a Cegueira


Aqui fica o cartaz de divulgação da atividade da autoria da profª Fernanda Martins. Fantástico!

Ensaio sobre a Cegueira na BE

A divulgação da obra de Saramago no inquietante filme "Ensaio sobre a Cegueira". As professoras Fernanda Martins e Rosa Almeida, da equipa da BE irão divulgar a iniciativa que decorrerá durante os meses de fevereiro e março.

Esta inciativa integra-se nas atividades previstas para o Projeto Oficina Saramago.
Pede ao teu professor que inscreva a tua turma! Vê o filme e lê o livro! Vai valer pena!

Menção Honrosa Escola.Escrita.Cinema

O aluno João França do 9ºA e monitor da BE obteve uma Menção Honrosa no concurso Escola.Escrita.Cinema, com o guião “ O tempo nunca se esgota”.
Promovido pela Rede de Bibliotecas Escolares, este concurso é uma iniciativa dos ministérios da educação dos países da
Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI que lançaram o desafio a alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico (12 a 15 anos), das escolas da rede pública, a produzir histórias/ relatos para a elaboração de guiões e para a realização de curtas- metragens.
Pretende-se, ainda, aproximar as indústrias culturais da escola, nomeadamente o cinema.
O projeto enquadra-se no compromisso assumido pelos governos com as respetivas metas educativas. Esta iniciativa integra um conjunto de ações desenhadas dentro do Programa para o fortalecimento das línguas ibero-americanas na educação.
Muitos Parabéns João!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O BESTIÁRIO DA BESC (7)


BANHO DOS BÚFALOS


Na água viscosa, cheia de folhas,
com franjas róseas da madrugada,
entram meninos levando búfalos.

Búfalos negros, curvos e mansos,
- oh, movimentos seculares!-
odres de leite, sonho e silêncio.

Cheia de folhas, a água viscosa
brilha em seus flancos e no torcido
esculturado lírio dos chifres.

Sobem e descem pela água densa,
finos e esbeltos, por entre as flores,
estes meninos quasi inumanos,

com o ar de jovens guias de cegos
− oh, leves formas seculares −
tão desprendidos de peso e tempo!

O dia límpido, azul e verde
vai levantando seus muros claros
enquanto brincam na água viscosa

estes meninos, por entre as flores,
longe de tudo quanto há no mundo,
estes meninos como sem nome,

nesta divina pobreza antiga,
banhando os dóceis, imensos búfalos
− oh, madrugadas seculares!

Cecília Meireles, Poemas escritos na Índia


Poema escolhido pelos alunos do 11º A

domingo, 29 de janeiro de 2012

O BESTIÁRIO DA BESC (6)



O ROUXINOL


Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma da gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!

Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, a alma doente
Dalguém que quis amar e nunca amou!

Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!...


Florbela Espanca, Livro de mágoas

Poema escolhido pelos alunos do 10º A

O BESTIÁRIO DA BESC (5)


OS CAVALOS



Que venerável campo que era o mundo!
Que venerável campo! E nós que lhe fizemos?
Nas escarpas
nos cômoros
nos vales
já não levantam ouro os cascos dos cavalos!

(Esses aí puxavam
a quadriga de Apolo.
Ficaram sem emprego: o Sol está parado.
Além, o Rocinante. O Pégaso, mais alto.
Limitam-se ao convívio
dos outros reformados:
os cavalos solenes dos enterros
os cavalos festivos das paradas
os cavalos heroicos das batalhas!)

Cavalos, ah! somente o vento vos cavalga!
E são bandos, são tantos e são tristes
sem cavaleiros, nem sequer fantasmas!
(Faltam, contudo, quatro.
De Quatro Cavaleiros que hão de vir.
A promessa é formal e serão quatro.
Quatro.
Quando virão
remir-nos e remir-vos?

E entanto que merecido insulto se preferissem
a seus corcéis de luz
quatro aviões a jacto!)

David Mourão-Ferreira, Os Quatro Cantos do Tempo



Poema escolhido pelos alunos do 11ºC




O BESTIÁRIO DA BESC (4)

O TIGRE



No tigre louvo a ciência
de não tocar violino
essa a violenta fragrância
da flor húmida do seu focinho.

O violino que é a metáfora
melodiosa do assassino
o som do afiar da lâmina
propriamente o raciocínio.

O risco de luz na selva
por isso do tigre exalto
que uma estrofe de sangue escreve
no jorro puro do salto.

Natália Correia, O solstício da besta


Poema escolhido pelos alunos de Literatura Portuguesa das Turmas C e D do 10º Ano

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Concurso Nacional de Leitura 2011-2012





















No dia 18 de janeiro procedeu-se à entrega dos certificados de participação na 1ª eliminatória do Concurso do Plano Nacional de Leitura. A cerimónia teve lugar na biblioteca da nossa escola e contou com a presença dos alunos envolvidos e das professoras de Língua Portuguesa responsáveis pela reallização desta iniciativa. A entrega dos certificados e prémios coube ao Prof. Carlos Pedro representante da direcção.
Classificações: Vanessa Duarte 11º C (1º lugar), Inês Costa 12ºB (2ª lugar), Catarina Viegas 10ºB (3º lugar) e Joana Veríssimo 10ºB (4ª lugar).
As alunas apuradas irão representar a nossa escola nas Finais Distritais que decorrerão entre Março e Abril de 2012.
A equipa da BE, professores e colegas desejam às alunas apuradas boa sorte e boas leituras para esta nova fase do Concurso Nacional de Leitura!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Temos Monitores de Biblioteca!

Entre os dias 19 e 21 de Dezembro decorreu a formação de alunos monitores de biblioteca, que contou com a participação dos alunos: Carlos Tomé do 8º A; Carlos Tavares, João França e Mihail Vasilache do 9ºA.
Preparados para dar apoio ao funcionamento da nossa biblioteca, este grupo de voluntários é uma mais valia muito importante para melhorar os nossos serviços à comunidade educativa.
O que vão eles fazer??? Fica já a saber que desde o apoio à recepção na recolha dos cartões dos colegas, trabalho com o módulo de empréstimo domiciliário, atribuição de computadores aos colegas e gestão do tempo de ocupação dos mesmos, apoio a alunos na realização de trabalhos nos computadores, apoio à selecção de livros para trabalhos ou lazer, arrumação dos livros e revistas, apoio aos colegas na manipulação dos equipamentos audiovisuais, contagem de dados para a estatística mensal da biblioteca até à dinamização do blogue da BE.
Bom trabalho!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Haloween na Besc


Os alunos do 8ºB e C assinalaram o dia do Halloween com
apresentação de trabalhos alusivos a este tema e claro como não podia deixar de ser houve ainda espaço para uma mostra de abóboras.

Fica aqui o registo desta atividade, dinamizada pela profª Helena Faria

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Dia da BE na BESC

Aconteceu hoje na BESC uma sessão de sensibilização relativa à importância da leitura . Através do visionamento de alguns videos publicitários alertou-se para a importância da leitura como instrumento de poder numa sociedade global, onde cada vez mais tudo está ao alcance de um click, de um touch, seja num ebook, ou ipad ou num outro suporte. A sobrevivência da BE depende da sua capacidade de adaptação às novas exigências dos seus utilizadores, é pois neste âmbito que a comemoração do dia da biblioteca escolar não poder ser uma prática esporádica, mas sim diária."

A equipa da BE

Mês internacional das bibliotecas escolares: saber, um poder para a vida

Numa época em vivemos marcados pelo problema da crise, a biblioteca escolar deve e tem de funcionar como um espaço de partilha de recursos, em que o único interesse em jogo é o do conhecimento. Há que aproveitar ao máximo os serviços gratuitos que as bibliotecas escolares colocam ao serviço da comunidade educativa. Pedem-nos criatividade ! O primeiro passo a dar é alimentar o conhecimento, por isso usem ao máximo a biblioteca escolar."

A equipa da Besc

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A PROPÓSITO DA POESIA DO SUECO TOMAS TRANSTRÖMER, PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2011

Pedrada no charco. Suponho ser esta a melhor definição para o efeito que em mim causou a notícia da atribuição do Prémio Nobel da Literatura deste ano ao poeta sueco Tomas Tranströmer, o que me levou a conjecturar que, se calhar, é mesmo esta uma das funções positivas da existência deste tipo de galardões, ou seja, a de (re)despertar em nós a vontade de (re)visitar recônditos estagnados ou ignorados da nossa memória individual ou colectiva.
Foi na década de 80, quando estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que tomei contacto acidental com alguns autores exponenciais da poesia sueca, através da aquisição e leitura da excelente colectânea 21 Poetas suecos, coordenada por Ana Hatherly e Vasco Graça Moura. E digo acidental porque, ao varrer com o olhar as estantes da livraria situada na cave do edifício da Faculdade, em busca de outros títulos constantes nas longas e dispendiosas listas bibliográficas com que cada docente daquela casa nos brindava no início de cada ano lectivo, me deparei estarrecida com um título que considerei retrospectivamente como uma quase impossibilidade, pois não consegui vislumbrar, no momento, a que conduziria o resultado da adição “suecos + poesia”. O anterior contacto profissional e pessoal de bastantes anos com vários detentores daquela nacionalidade, para além de ter constituído uma segunda e fundamental escola na minha vida, havia moldado a minha visão sobre os mesmos na igualdade “suecos = pragmatismo”, logo, supunha eu, inviabilizadora da construção de algo que me merecesse uma inclusão digna no género poético. Movida, inicialmente, por uma enorme curiosidade, rapidamente me confrontei com o horror e a vergonha da percepção estereotipada que havia construído, não só sobre a cultura e o povo suecos, mas também relativamente àquilo de que o género lírico se pode alimentar. Dois poemas bastante distintos entre si foram fulcrais neste processo, “Escandinávia”, de Artur Lundkvist, e “Kyrie” do agora laureado Tomas Tranströmer. Convido-vos a lê-los no comentário seguinte, porque a poesia é uma poderosa arma contra os estereótipos que infelizmente ainda permeiam e limitam as nossas vidas e que quotidianamente nos esforçamos por erradicar da (nossa) escola.

Poetas suecos: Tomas Tranströmer

Kyrie *
A minha vida às vezes abria os olhos no escuro.
Uma sensação de multidões arrastando-se por ruas,
cegas e sem descanso, no caminho para um milagre,
enquanto eu fico aqui, invisível.
Como uma criança que adormece aterrorizada
à escuta dos passos pesados do coração,
até que a manhã ponha o seu raio de luz nos fechos
e as portas da escuridão se abram.


Tomas Tranströmer


* kyrie quíriè (transcrição latina do grego kúrie, vocativo de kúrios, senhor)
s. m.
1. [Religião católica] [Religião católica] Invocação a Deus que se faz no princípio da missa.
2. [Música] [Música] Cântico feito com essa invocação.
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
(Nota da autora)



Poema transcrito de:
Hatherly, A. e Graça Moura, V. (coords.) (1981). 21 Poetas suecos. Lisboa: Vega.

Poetas suecos: Artur Lundkvist

Escandinávia
Não. A Escandinávia não é como a maioria imagina,
nem sequer no Inverno.
Algum escandinavo utiliza a palavra ártico?
Muitos nem sabem o que significa.
A aurora boreal é mais frequente nos poemas que na realidade
e os cornos dos alces já não rasgam a névoa
que descansa sobre o sono das cidades de província.
As cascatas evitam o frio
ocultando-se em suas grutas de gelo
(vejo-as fumegar como quando o comboio
desaparece no túnel).
Tão pouco se vê ameaçada de congelação
a água sensível dos olhos
(ainda que os caminhos permaneçam cobertos de gelo
podemos patinar por eles de uma povoação a outra).
Ah mas repara como as estacas desaparecem debaixo da neve,
como essa casa de madeira azul cobalto
mostra os seus três pisos de janelas incandescentes
como se ardesse por dentro.
Repara na solitária locomotiva abrindo caminho por entre a neve –
o acidente não seria muito grave se descarrilasse
e ficasse encostada a um montão de neve
gelando lentamente.
Uma raposa pode permanecer horas e horas sentada
olhando os frutos da rosácea;
ou deixar-se ficar pacientemente esperando
que um raro regresse da sua toca na neve.
O mocho, com os seus pálidos olhos de âmbar, voa tão silencioso
que a paisagem parece surda.
Muitos são os pássaros que saem dos bosques invernais
para morrer junto aos homens.
E quando o verão desperta podemos descobrir
um formigueiro construído à volta de uma luva perdida.


Artur Lundqvist



O poema foi transcrito de:
Hatherly, A. e Graça Moura, V. (coords.) (1981). 21 Poetas suecos. Lisboa: Vega.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PROJETO: “OFICINA SARAMAGO” – BARREIRO/ MOITA

O projeto “Oficina Saramago” convoca um conjunto alargado de instituições que, em parceria, desenvolverão ações diversificadas, dirigidas à população em geral e abarcando, de preferência, todas as faixas etárias. Desenvolve-se num ciclo nascimento-morte-nascimento, integrando os dias 16 de novembro e 18 de junho. Tem início em novembro de 2011 e termina a 16 de novembro de 2012.
As finalidades deste projeto são as seguintes:
- Dar a conhecer a vida e obra de José Saramago, a importância dos seus temas de escrita e da sua estética, bem como as grandes causas que dominaram as suas intervenções como cidadão e escritor.
- Criar Oficinas de Leitura e Escrita José Saramago, fomentando a reflexão e a criação estética a partir das suas obras e textos.
- Reeditar a brochura “O Sabor da Palavra Liberdade” de José Saramago, editada pela Câmara Municipal do Barreiro.
- Criar uma colecção “ Oficina Saramago”, a editar de dois em dois anos, com o formato de revista electrónica.
Várias entidades dos concelhos do Barreiro e Moita confirmaram já a sua adesão a este projeto. Este projecto conta já com um apoio de peso, a Fundação José Saramago, através da colaboração de Pilar del Rio que fará a conferência de abertura  no próximo dia 28 de Novembro.
Se queres estar a par deste projeto, segue-nos de perto!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O que ler?

Como fazes as tuas escolhas de leitura? Sabes muito bem o que queres ler? Ou nem por isso? Pede ajuda às professoras da equipa ou à funcionária e vais ver que vais fazer uma boa escolha.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A BESC deseja a todos um bom ano letivo e boas leituras!

A toda a comunidade educativa e em particular aos alunos desejamos um bom ano de trabalho e boas leituras! Esperamos continuar a ser parceiros no vosso sucesso!
Este ano a equipa da biblioteca sofreu uma reorganização interna mas renova o seu empenho em promover boas práticas de leitura, porque é esta a sua verdadeira missão.
A equipa é constituída pelas professoras: Leonor Inácio (professora bibliotecária), Conceição Pimenta, Fernanda Martins, Paula Gil,  Rosa Almeida e Elisabete Ferreira.
Deixamos aqui um desafio aos nossos utilizadores: visitem-nos e descubram novos mundos …

A equipa da biblioteca

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Gente Singular, sem dúvida

Embora com algum atraso aqui se cumpre a promessa de voltar a falar sobre Manuel Teixeira Gomes, o escritor que foi o sétimo Presidente da República portuguesa.
Decerto que qualquer espírito amante da leitura e da originalidade ficará contente ao saborear as histórias de Gente Singular, uma colectânea de contos de 1909. E porquê? Em primeiro lugar porque assistimos ao desfilar de personagens estranhas, bizarras, misteriosas. Em segundo lugar, porque o narrador as capta gerindo o suspense, o imprevisto, e porque usa de um humor sem preconceito.
Algumas das personagens que dominam estas histórias são: D. Joaquina, uma viúva de quarenta anos, que se veste de negro e de expressão dolorosa, para convencer o narrador a ajudá-la e esconde uma vida que não é de todo inocente; a belíssima e sofisticada Leonor Gelder, cunhada dos israelitas Bega, que o narrador frequenta em Amesterdão, mulher que o narrador deseja, mas cujas intenções são bem concretas; Monsenhor Simas, personagem insólita, rodeado de três insólitas irmãs, que focalizam o interesse das suas vidas provincianas na inauguração de uma retrete, novidade ao tempo, naquelas paragens de Vila Real de S. António.
Nos restantes contos, «O Álbum», «Sede de Sangue», «O Triste Fim do Major Tatibiate» e «Profecia Certa» encontramos outras tantas personagens singulares, com as suas manias e as suas aparências enganosas.
De todos, um dos mais interessantes é «Profecia Certa», um conto primorosamente construído numa longa analepse. Nele assiste-se à desgraça de Helena que troca o seu namorado, pobre estudante de Medicina, por um bem parecido alferes, com quem se casa, ignorante da doença terrível que irá destruir o seu casamento. Mas o seu primeiro namorado já o sabia…
Quem gosta de histórias surpreendentes não ficará desiludido com Gente Singular. Sem dúvida.
Ana Garrido, Carla Diogo, Lina Heitor

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O BESTIÁRIO DA BESC (3)

A CABRA

A cabra transmite à terra o que sabe
presa à sua sombra, chuvosa, a cabra
quebra o silêncio das raízes, rumina
as fezes, investe até ao fundo
contra a solidão, cata ruínas
com a mesma paixão do tempo
A cabra no escuro, tanto
lhe faz quando a noite a roce
no vento pelos úberes, os úberes
da cabra riscam a noite
de branco.

J.T. Parreira

POEMA(S) DA CABRA

(…)

Quem já encontrou uma cabra
que tivesse ritmos domésticos?
O grosso derrame do porco,
da vaca, do sono e de tédio?


Quem encontrou cabra que fosse
animal de sociedade?
Tal o cão, o gato, o cavalo,
diletos do homem e da arte?


A cabra guarda todo o arisco,
rebelde, do animal selvagem,
viva demais que é para ser
animal dos de luxo ou pajem.


Viva demais para não ser,
quando colaboracionista,
o reduzido irredutível,
o inconformado conformista.

(…)

João Cabral de Melo Neto, Obra Completa


Poemas escolhidos pelos alunos do 10º C

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O BESTIÁRIO DA BESC (2)

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa, Poesias



Poema escolhido pela aluna Tânia Henriques, do 10º A

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O BESTIÁRIO DA BESC (1)

PERU

Do peru, está tudo dito. Elefante do aviário, o peru não aguenta mais ápodos
. Podemos, no entanto, garantir que o peru rupe, que não é mau com puré e que, embora prue, morre muito com urpe.
O melhor peru é o do vale do Epru. Mas não paga a pena mandá-lo vir de lá. Chegaria a vossas casas sem aquele «repu» que o caracteriza. Podeis, perum, supermercá-lo: vitaminado, vacinado, pesado, congelado, embalado, comprovado. Aproveitai, no presente Natal, este superperu, que, para o ano, vendê-lo-ão já mastigado, em bisnagas cheias de préu.

Alexandre O’Neill, As Horas Já de Números Vestidas


Poema escolhido pelos alunos do 12º A e B

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

António Rodrigues de las Heras na IV Conferência PNL






Antonio Rodríguez de las Heras, Director do Instituto de Cultura e Tecnologia da Universidade Carlos III, Madrid, inaugurou, depois da abertura protocolar, a IV Conferência Internacional do PNL. Na sua exposição, A.R. de las Heras centrou-se nos desajustes entre os novos leitores, os nativos digitais e a leitura/escrita que lhes oferecemos; entre o mundo da tecnologia e um ambiente cultural assente em formas de escrita secular e na página impressa.
Estamos imersos en un entorno sobreinformado, icónico, cinético, abotonado. Y hay que imaginar y ensayar medios para escribir para un lector conformado por este entorno, afirmou o autor. A escrita e o livro são extensões da memória mas essa função não é exclusiva da folha de papel. O suporte digital pode bem responder às necessidades da memória, assim como à função inversa de esquecimento, sem a qual a primeira não é possível. O fundamental, para A.R. de las Heras, está hoje na hipertextualidade e nos novos dispositivos de leitura de que são exemplo os e-books e os ipads.
Mas que formas de hipertextualidade? Vivemos um período de evolução e experimentação em que alguns ensaios serão bem sucedidos, outros nem tanto. Criatividade e imaginação são, por isso, essenciais para encontrar formas de hipertextualidade adequadas aos novos leitores e ao mundo tecnológico.

Textos de António Rodrigues de las Heras aqui

Via RBE

sábado, 16 de outubro de 2010

Homenagem a MATILDE ROSA ARAÚJO na IV Conferência PNL

A IV Conferência Internacional do Plano Nacional de Leitura, realizada a 15 e 16 do corrente mês, decorreu com grande interesse, na Fundação Calouste Gulbenkian. Ao princípio da tarde do primeiro dia de trabalhos, viveu-se um momento elevado e solene, com a homengam que foi prestada à autora Matilde Rosa Araújo. O texto exemplar de Leonor Riscado, professora da Escola Superior de Educação de Coimbra, sobre a autora e a sua obra, a apresentação de textos da autora pelas atrizes Lúcia Maria e Maria Leite e o vídeo que nos lembrou Matilde numa escola, interagindo com alunos, envolveram os presentes na riqueza humana da autora, paralelamente à sua mestria na escrita.

Sobre a sua vida e obra, relembramos o texto recentemente publicado, na edição de Junho do jornal escolar, O Intervalo, do Agrupamento de Escolas de Pedrógão Grande. A aluna Mónica Baeta do 5º A, escreveu-o pouco antes da autora nos deixar, apresentando a sua vida e obra, pela boca do livros "As Fadas Verdes".

Via RBE

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

IV Conferência Internacional PLANO NACIONAL DE LEITURA



A IV Conferência Internacional do PNL  vai centrar-se sobre o cruzamento entre a leitura e a tecnologia, tema da maior actualidade e pertinência. Serão também abordadas outras questões ligadas à leitura/escrita e alguns dos programas a LeR+.



15 e 16 de Outubro - 9:30h

Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa

Entrada livre

Programa

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Teixeira Gomes – A Literatura de um Presidente









Gostava mais do povo trabalhador do que da burguesia alambicada e egoísta este grande senhor das letras que nasceu numa família rica e poderosa de Portimão em 27 de Maio de 1860… (1)
Em tempos de memórias da Implantação da República, lembrámo-nos de ler e divulgar Manuel Teixeira Gomes, o escritor e o republicano que chegou a Presidente. Elegeram-no em 1923, abandonou o cargo em 1925. Não foi, contudo, o mais breve Presidente nem o único que se dedicou à Literatura. Dos dezoito presidentes que a República Portuguesa teve até hoje, dois outros - Manuel de Arriaga, o primeiro, e Teófilo Braga, o segundo - foram poetas, e Teófilo Braga com vasta obra no campo da poesia e da recolha e crítica literárias.
Teixeira Gomes, não sendo um escritor divulgado nas nossas escolas, é dotado de uma excelente escrita, que, indubitavelmente, agrada aos amantes da leitura. É sensual, gostosa, rica, desenhando personagens surpreendentes, finais inesperados e paisagens que visualmente nos chegam intactas.
Dado que viajou muito e permaneceu no estrangeiro em longas temporadas, por motivos políticos ou de negócio, e também nos dezasseis anos de exílio final da sua vida, conheceu sociedades e paisagens diversíssimas que transportou para os seus escritos: França, Holanda, Itália, Norte de África…
Algumas das suas narrativas mais conhecidas são Maria Adelaide, Novelas Eróticas e Gente Singular (colectânea de contos). A sua obra reflecte a sua personalidade, o seu génio de narrador e as suas experiências de vida filtradas pela lucidez, pelo sentido estético e pelo humor.
Na sua formação, conta-se a frequência do curso de Medicina em Coimbra, de que desistiu, para desgosto do pai, grande proprietário algarvio. Instalado em Lisboa, conviveu com os escritores João de Deus e Fialho de Almeida. Com 39 anos, juntou-se a Belmira das Neves, filha de pescadores, de quem teve duas filhas.
Na política, foi, desde jovem, republicano, tendo colaborado no jornal A Luta, de Brito Camacho. Depois da Implantação da República, em 1910, foi ministro de Portugal em Londres, em Madrid e delegado de Portugal nas Nações Unidas. Em 6 de Agosto de 1923, foi eleito Presidente da República, numa situação governativa extremamente instável, cargo a que resignaria em 1925, alegando motivos de saúde, após o que saiu de Portugal para não mais voltar.
Nas palavras de Teixeira Gomes, a explicação de tão breve governo é elucidativa:

A política longe de me oferecer encantos ou compensações converteu-se para mim, talvez por exagerada sensibilidade minha, num sacrifício inglório. Dia a dia, vejo desfolhar, de uma imaginária jarra de cristal, as minhas ilusões políticas. Sinto uma necessidade, porventura fisiológica, de voltar às minhas preferências, às minhas cadeiras e aos meus livros. (2)

Morreu aos 81 anos, em Bougie, na Argélia.

O dinheiro que tinha consigo chegou à justa para pagar a conta do hotel e as despesas do funeral. Nunca manifestou qualquer desejo respeitante ao seu enterro. Não costumava falar da morte. Por vezes chegou a desejá-la, nas horas de maior sofrimento. O orgulho, porém, vencia nele a dor física – esse indomável orgulho que o fez resignar as funções de chefe de estado, o orgulho que o levou ao exílio, o orgulho que não o deixou voltar a Portugal, o orgulho que o fez morrer longe da família e dos amigos, num quarto de hotel onde viveu dez anos, num desconforto moral arrepiante. (3)

Na pátria, em pleno Salazarismo, aquando da trasladação dos seus restos mortais, em 1950, o funeral de Teixeira Gomes, em Portimão, deu azo a uma grandiosa manifestação republicana.
Se ficou interessado neste autor e na sua escrita, leia as obras Maria Adelaide e Gente Singular, que serão objecto de duas pequenas análises em breve publicadas neste blogue.

Ana Garrido, Carla Diogo e Lina Heitor

(1) Urbano Tavares Rodrigues, "Prefácio" da obra Maria Adelaide
(2) Joaquim Nunes, "Prefácio" Da Vida e da Obra de Teixeira
(3) Norberto Lopes, O Exilado de Bougie


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Elogio da Biblioteca (3)

«E você fica com o livro por quanto tempo quiser.» Entendem? Valia mais do que me dar o livro: «pelo tempo que eu quisesse» é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.


Clarice Lispector, Felicidade Clandestina

Elogio da Biblioteca (2)

Faz parte das minhas lendas – como essa de dizer-se que eu sabia o Larousse de cor aos sete anos − atribuírem-me centenas de visões do Johnny Guitar. Num caso como noutro há exageros. Só vi o Johnny Guitar 68 vezes, entre 1957 e 1988. (…)
(…) Como as coisas muito grandes, Johnny Guitar não se explica. Conta-se (vê-se) outra, outra e outra vez como as histórias que se contam às crianças, até que tudo se saiba de cor e se aprenda que tudo está certo nelas. (…)
Quando o bando de Emma entra pelo saloon de Vienna, para a prender, os misteriosos croupiers param as roletas. Enfrentando Emma com o seu terrível olhar, Vienna, sem desviar os olhos dela, dá uma seca ordem: «Keep the wheel spinning, Ed. I like to ear it spin. No fim de cada visão de Johnny Guitar só me apetece dizer aos projeccionistas: «Keep the film spinning. I like to see it spin.» Tanto, tanto.


João Bénard da Costa, Os Filmes da Minha Vida